Nos séculos XIX e XX, os estuários do Tejo e do Sado foram conhecidos por abrigar os maiores bancos naturais de produção de ostras da Europa. A ostra portuguesa, ou Crassostrea angulata, prosperava especialmente na região de Setúbal – no Estuário do Sado.
No entanto, a chegada da indústria pesada às margens do Sado e a crescente poluição das águas resultaram na diminuição da qualidade do ambiente, o que levou ao declínio da população de ostras, levando ao desaparecimento de muitos bancos naturais de ostras no Sado e Tejo.
No entanto, é preciso salientar que a recuperação da ostra portuguesa (Crassostrea angulata) no estuário do Sado tem sido uma verdadeira história de resiliência e revitalização ambiental. Durante décadas, a espécie foi prejudicada pela poluição e pela introdução da ostra japonesa, mais resistente. No entanto, graças a esforços conjuntos de organizações ambientais e iniciativas de conservação, as condições para o crescimento da ostra autóctone estão a ser restauradas. Hoje, o estuário do Sado começa a ver o renascimento dos seus bancos naturais de ostras, com resultados promissores para a biodiversidade estuarina.
As ostras desempenham um papel crucial no ecossistema marinho pois, como filtradoras naturais que são, ajudam a melhorar a qualidade da água e a manter o equilíbrio ecológico, funcionando como recifes naturais que abrigam diversas espécies marinhas.
É essencial que continuemos a apoiar os esforços de recuperação da ostra portuguesa no Sado, para garantir não apenas a preservação de uma espécie autóctone, mas também o restabelecimento dos valiosos ecossistemas marinhos que ela sustenta. É vital que iniciativas de preservação e gestão sustentável sejam priorizadas para assegurar a continuidade da produção de ostras e a recuperação da biodiversidade estuarina, permitindo que as futuras gerações também possam beneficiar desse património natural.